Ondas de calor frequente já afetam a vida de mais 550 milhões de crianças

Atualmente, 559 milhões de crianças e adolescentes estão expostos a ondas de calor frequentes (quando há uma média de 4,5 ou mais ondas de calor por ano), de acordo com um novo estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

Atualmente, 559 milhões de crianças e adolescentes estão expostos a ondas de calor frequentes (quando há uma média de 4,5 ou mais ondas de calor por ano), de acordo com um novo estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Além disso, 624 milhões de crianças e adolescentes estão expostos a um dos outros três indicadores específicos de altas temperaturas – episódios de ondas de calor de longa duração e alta intensidade ou temperaturas extremamente elevadas.

Durante um ano em que as ondas de calor bateram recordes tanto no hemisfério sul quanto no hemisfério norte, o relatório “O Ano Mais Frio do Resto da Vida Deles: Protegendo Crianças e Adolescentes dos Impactos Crescentes das Ondas de Calor” destaca o já extenso impacto das ondas de calor para meninas e meninos e revela que, mesmo nos níveis mais baixos de aquecimento global, em apenas três décadas, ondas de calor mais regulares são inevitáveis para crianças e adolescentes em todos os lugares.

Na maior capital do Brasil, São Paulo, os termômetros chegaram aos 34°C no segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), e a prefeitura montou tendas para ajudar população. Segundo a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS), somente em 8 horas, as tendas da Operação Altas Temperaturas (OAT) realizaram 37.961 atendimentos e distribuíram 65.703 itens, sendo 38.262 garrafas de água, 5.625 sucos e 14.376 frutas.

O ano de 2023 será o mais quente em 125 mil anos. No Brasil, 15 estados e o Distrito Federal já entraram em alerta vermelho este ano devido à onda de calor.

O calor mata cerca de 15 milhões de pessoas por ano no mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Organização Mundial de Meteorologia (OMM). Somente em São Paulo, foram registradas cinco mortes e aumento de 102% nos atendimentos por exposição ao calor neste ano.

Ainda não há muitos estudos sobre o impacto das ondas de calor em crianças, mas já se sabe que elas estão entre os principais grupos afetados, junto com idosos. Elas são menos capazes de regular a temperatura do corpo em comparação com os adultos. A quanto mais ondas de calor meninas e meninos estiverem expostos, maior a chance de problemas de saúde, incluindo doenças respiratórias crônicas, asma e doenças cardiovasculares. Bebês e crianças pequenas correm o maior risco de mortalidade relacionada ao calor.

Além dos efeitos diretos na saúde das crianças e dos adolescentes, as ondas de calor podem impactar os ambientes em que eles vivem, a segurança alimentar, a mobilidade, o acesso à água, a educação e os meios de subsistência futuros.

“Uma em cada três crianças vive em países que enfrentam temperaturas extremamente elevadas e quase uma em cada quatro crianças está exposta a ondas de calor frequentes, e isso só vai piorar”, disse a diretora executiva do UNICEF, Catherine Russell. “Mais crianças e adolescentes serão afetados por ondas de calor mais longas, mais intensas e mais frequentes nos próximos trinta anos, o que colocará em risco sua saúde e seu bem-estar. Quão devastadoras essas mudanças serão, depende das ações que tomarmos agora. No mínimo, os governos devem limitar urgentemente o aquecimento global a 1,5°C e dobrar o financiamento da adaptação até 2025. Essa é a única maneira de salvar a vida e o futuro das crianças e dos adolescentes – e o futuro do planeta”.

“Os choques climáticos de 2022 forneceram um forte alerta sobre o crescente perigo que se aproxima de nós”, disse a jovem ativista climática e embaixadora do UNICEF, Vanessa Nakate. “As ondas de calor são um exemplo claro. Por mais quente que este ano tenha sido em quase todos os cantos do mundo, provavelmente será o ano mais frio do resto de nossa vida. Os líderes mundiais precisam corrigir o curso em que o mundo está, levando o tema à COP27, focando nas crianças e nos adolescentes de todo o mundo, especialmente aqueles mais vulneráveis, que vivem nos lugares mais afetados. A menos que eles ajam, e logo, este relatório deixa claro que as ondas de calor se tornarão ainda mais duras do que já estão destinadas a ser”, alerta.

O relatório estima que, até 2050, todos os 2,02 bilhões de crianças e adolescentes do mundo serão atingidos por ondas de calor cada vez mais frequentes, seja como parte de um cenário de ‘baixas emissões de gases de efeito estufa’ com um aquecimento global estimado de 1,7°C ou um ‘cenário de emissões muito elevadas de gases de efeito estufa’ com aquecimento global de 2,4°C em 2050.

O número de crianças e adolescentes afetados por ondas de calor de longa duração subirá de atualmente 538 milhões para 1,6 bilhão em 2050, no caso de um aquecimento de 1,7°C, e para 1,9 bilhão, no caso de um aquecimento de 2,4°C.

A Organização das Nações Unidas (ONU) desenvolveu uma série de objetivos ambiciosos no ano de 2015 por meio de um “Pacto Global”, que envolve os seus 193 países membros. O projeto da ONU contempla 17 ODS, ou seja, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

O cenário apresentado mostra que o ODS 13 -Tomar medidas urgentes para combater a mudança climática e seus impactos, precisa ser colocado em prática com urgência.

Fonte: observatorio3setor.org.br

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