Olá! Você tem os principais números do terceiro setor brasileiro na ponta da língua?
Para iniciar minha sequência de textos em 2024 aqui no Filantropia à Brasileira achei que seria uma boa ideia juntar alguns dos principais números do setor sem fins lucrativos do país, para facilitar a consulta e referência de qualquer pessoa que queira utilizá-los no futuro.
Além disso, um outro motivo importante é o fato de, ano passado, vários dados que temos foram atualizados, ou publicados pela primeira vez, e é sempre bom ter onde encontrá-los, com os links para as fontes originais.
E é exatamente isso que você vai encontrar nas linhas abaixo: dados, dados e mais dados. Bora para eles!
O Brasil conta com 815.676 ONGs – ou organizações sem fins lucrativos, entidades, organizações da sociedade civil etc, como você quiser chamar.
Esse número foi atualizado pela última vez em 2021, tendo como referência o ano de 2020, e havia a expectativa de que viesse a ser atualizado novamente em 2023, o que infelizmente não aconteceu. Mas não me surpreenderá se em breve o IPEA lançar uma versão atualizada do Mapa das OSCs (já estou curiosíssimo para analisar os dados).
O número total de ONGs é a principal referência do Mapa. Ao olhar a lista completa é possível conhecer outras informações também:
Além do MAPA das OSCs há um outro estudo, publicado pelo IBGE, que chama FASFIL – As Fundações Privadas e Associações sem Fins Lucrativos no Brasil. Esse estudo utiliza uma base de dados pública mais restrita e indicou existirem, em 2016, 236.950 organizações no Brasil.
Ainda não há consenso de qual das duas referências é a mais adequada, mas a maioria das pessoas tende a utilizar o Mapa das OSCs, por ter se mantido mais atualizada e, claro, porque causa mais impacto falar que temos 815 mil ONGs ao invés de 236 mil.
Finalmente, o setor sem fins lucrativos adiciona 4,27% à economia brasileira, conforme encontrou a pesquisa A importância do Terceiro Setor para o PIB no Brasil, realizada pela FIA a pedido do Movimento por uma Cultura de Doação .
Além de movimentar bastante a economia, o Terceiro Setor emprega muito mais que a maior parte dos demais setores da economia:
Esses dois últimos dados eu encontrei analisando a planilha disponível no Mapa, e os apresentei ano passado em um texto disponível aqui.
Aqui a minha vontade era olhar para a receita do setor sem fins lucrativos. Esse é inclusive o meu projeto de doutorado, que está em desenvolvimento, e um tema que me atrai bastante.
Porém, nós não temos tantos dados gerais sobre as receitas das ONGs, sabemos mais sobre as doações, por isso acabei optando por, neste bloco, priorizar o que temos sobre as doações filantrópicas, que são aquelas realizadas para gerar impacto positivo para a coletividade, e que em sua grande maioria são dirigidas às ONGs.
Um parênteses importante: quem acompanha as pesquisas BISC e Censo GIFE sabe que os números principais que eles divulgaram são outros: 4 bilhões (BISC) e 4 bilhões e 800 milhões (Censo GIFE). Essa diferença gigante com o que apresentei acima existe porque ambos os trabalhos olham para o que se convencionou chamar no Brasil de “investimento social privado”, que seria a totalidade dos recursos investidos para gerar impacto positivo na sociedade. No caso do BISC e Censo GIFE, a grande maioria dos recursos do “investimento social privado” fica dentro do próprio “investidor”, seja bancando projetos próprios ou a estrutura da organização (salários, etc), e apenas uma parcela menos representativa, quando comparada com o total do investimento social privado declarado, é revertida para a sociedade como doação. Inclusive já tratei desse tema quando teci comentários sobre o motivo das empresas não doarem no Brasil, o primeiro texto da série que iniciou este boletim no LinkedIn.
A principal referência que temos no país para saber como as organizações se utilizam da tecnologia é a TIC OSFIL, já citada anteriormente. É uma pesquisa que já está em sua quarta edição, com a versão mais recente lançada ano passado, e traz alguns resultados que valem a pena serem conhecidos:
E se falar sobre o número das organizações, empregos, doações e tecnologia não for suficiente, seguem mais dois dados sobre as ONGs brasileiras que vale a pena a gente listar e deixar como referência, e que abordam outros aspectos das receitas delas:
Filantropia Premiável: os títulos de capitalização da modalidade filantropia premiável, que beneficia instituições sem fins lucrativos, renderam 1 bilhão e 480 milhões de reais às ONGs em 2022, de acordo com os dados fornecidos pela FenaCap – Federação Nacional de Capitalização .
Recursos Públicos: o governo federal repassou quase 13 bilhões de reais às instituições sem fins lucrativos em 2018, o último ano que consta atualizado no Mapa das OSCs.
Pronto, lista feita.
Naturalmente o que apresentei acima é um recorte dos dados que temos sobre a filantropia brasileira, de forma geral, e as instituições sem fins lucrativos, de forma mais específica.
Nem de perto são todos os dados existentes, mas são aqueles que eu, no meu recorte, achei que era interessante trazer aqui para vocês para contribuir com o fortalecimento do setor.
Sinta-se à vontade para compartilhar nos comentários outras referências que ache importante, como também me corrigir – caso perceba que eu tenha realizado algum equívoco (mas eu realmente espero que não seja o caso).
Ah, e eu quero facilitar sua vida, né? Então fiz uma tabela com o resumo dos principais dados que eu apresento acima. Pode usar à vontade.

Publicado por: Joao Paulo Vergueiro
Fonte: linkedin.com