Educação e empreendedorismo: caminhos para o pleno exercício da cidadania

Preocupada com a desmotivação de seus alunos, a professora de Língua Portuguesa Sande Polyana Silva Almeida fez um diagnóstico com os cerca de 150 estudantes das turmas de 9º ano do Ensino Fundamental e das séries de Ensino Médio em que atuava para entender seus desejos e projeto de vida.

“A maioria respondia que não tinha muitos sonhos, mas o maior era ajudar a família. Vi que cabia a educação empreendedora. Eles não viam saída na escola. Queriam resolver um problema urgente. Decidi trabalhar o empreendedorismo, mostrando que poderiam estudar e contribuir em casa também.”

O relato se refere ao projeto Educação Empreendedora: Sonhos e Práticas, da Escola Estadual Américo Martins, em Montes Claros (MG), que teve início em 2016 – pouco antes da aprovação da Lei nº 13.415/2017, que aprovou o Novo Ensino Médio, política que integra a formação voltada ao mundo do trabalho, conteúdos técnicos e currículos mais diversificados e flexíveis.

Em conjunto com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o marco abre uma oportunidade de inclusão do tema do empreendedorismo nas escolas, sendo este um dos quatro eixos estruturantes para a construção dos itinerários formativos no currículo, junto com investigação científica, processos criativos e mediação e intervenção sociocultural.

A política educacional responde à realidade de milhares de jovens no Brasil, que não contam com políticas públicas efetivas que os amparem depois de completar o Ensino Médio. Diversos estudos apontam que, com a pandemia, esse cenário se tornou ainda mais grave, levando o jovem a uma maior descrença com a educação, à evasão escolar, ao ingresso no trabalho precário para ajudar a família e ao desemprego.

Na área de trabalho e renda, 55% dos jovens revelam procurar formas de incrementar seu rendimento pessoal ou familiar, o que aumenta  a parcela daqueles que já pensaram em parar de estudar: 4 a cada 10 admitem ter considerado deixar os estudos. Os dados são da pesquisa Juventudes e a Pandemia do Coronavírus, iniciativa do Atlas das Juventudes. A segunda edição da pesquisa entrevistou mais de 68 mil jovens de todo o Brasil.

Para Diogo Jamra Tsukumo, gerente de articulação do Itaú Educação e Trabalho, a flexibilização do Ensino Médio, com o quinto itinerário destinado à Educação Profissional e Tecnológica (EPT), é uma grande oportunidade para oferecer ao jovem uma educação que possibilite sua inserção no mundo do trabalho de forma digna e cidadã e o estimule a prosseguir os estudos ao longo da vida.

“É esta a perspectiva que coloca a Educação Profissional e Tecnológica no século 21, que não se refere apenas a emprego, mas também a empreendedorismo, à continuidade dos estudos e ao desenvolvimento de competências, como o estabelecimento de relações e a visão crítica e inovadora, para que os jovens possam ampliar seus horizontes, ocupar e criar novos postos e frentes de atuação e, ao longo da vida, determinar rumos prósperos para o país.”

Educação e inclusão produtiva

Na avaliação do gerente, a educação do século 21 precisa promover situações reais de aprendizagem que permitam aos jovens desenvolver a capacidade de resolução de problemas complexos, a criticidade, a criatividade, o raciocínio lógico, a flexibilidade, a proatividade, e as competências digitais.

“As secretarias de educação do país têm um grande desafio de concretizar os itinerários formativos do Novo Ensino Médio até 2022 e dar forma ao trabalho como princípio educativo. No entanto, essa é uma tarefa de toda a sociedade e inclui também o setor produtivo. No futuro, vão aparecer novas funções, ocupações e frentes de trabalho que não estão inteiramente mapeadas hoje. Por isso, a EPT deve ser pensada como uma etapa de formação mais abrangente, que vai acontecer ao longo da vida”, observa.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Plano CDE, a pedido do Itaú Educação e Trabalho e da Fundação Roberto Marinho, 98% dos estudantes concordam que é importante a escola preparar para o mundo do trabalho, enquanto 75% acreditam que a escola prepara muito pouco ou nada para a etapa profissional. O estudo, que ouviu mil jovens da rede pública de todas as regiões do país, que cursam o 9º ano do Ensino Fundamental e o 1º ano do Ensino Médio, também mostra que o Ensino Técnico ainda é algo distante dos alunos e eles veem positivamente essa modalidade.

Educação, empreendedorismo e impacto social

Em uma sociedade marcada pelas desigualdades e desafios ambientais e diante das possibilidades concretas de conectar o empreendedorismo à educação por meio do desenvolvimento de competências, o empreendedorismo socioambiental ganha espaço como oportunidade de ampliar a conexão entre a escola e a comunidade, enquanto promove habilidades como o altruísmo, a empatia e a capacidade de resolução de problemas.

Reportagem publicada no site do Porvir mostra como o tema pode reforçar o papel da educação, promovendo projetos e práticas que proporcionem aos estudantes a chance de reconhecer seu potencial de transformação e geração de impacto positivo. O conteúdo aponta seis dimensões fundamentais para a construção e implementação desse tipo de projeto em uma unidade curricular, eletiva ou itinerário formativo do Ensino Médio, com dicas, ferramentas práticas e casos reais.

Por: Gife

Fonte: gife.org.br

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