Segundo a 10ª edição do Relatório dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 2025, quase metade das metas avança com lentidão; “são números indesejados diante das possibilidades que se desenharam em 2015, quando os ODS surgiram para a governança global”, afirmou o professor Paulo Almeida
Somente 35% dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estão no rumo certo ou apresentam progressos moderados, a nível global. Os dados são da 10ª edição do Relatório dos ODS 2025, apresentados pelo secretário-geral da ONU, António Guterres.
Além de mostrar que 65% dos ODS não estão no caminho certo, o documento aponta o retrocesso em 18% das metas estabelecidas pela Agenda 2030 da ONU e destaca que quase metade das metas tem avançado “muito lentamente”.
Nesse sentido, o relatório apela para mais ação global, pedindo às nações para acelerarem avanços em áreas como: acesso à água potável, saneamento, serviços de higiene, mudanças climáticas, conflitos e dívida de países menos desenvolvidos.
“São números indesejados diante das possibilidades que se desenharam em 2015, quando os ODS surgiram para a governança global”, afirmou Paulo Almeida, colunista do programa Brasil ODS, do Observatório do Terceiro Setor (OTS). Ele é professor no Programa de Pós-Graduação em Sustentabilidade da EACH/USP, advogado e consultor jurídico ambiental em São Paulo.
Para Almeida, esse dados devem ser utilizados como lição. “Devemos considerar que a humanidade e todos os seus setores — público ou privado — se envolveram insuficientemente com as metas traçadas pelos ODS”.
Apesar dos dados preocupantes, o relatório também apresenta resultados positivos, capazes de gerar otimismo sobre as metas e estimular uma atuação contínua em busca dos objetivos.
“Em linhas gerais, devemos continuar resistindo e pressionando os setores envolvidos para a importância destes delineamentos estabelecidos pela ONU. Ainda que em marcha lenta, não podemos cair no ‘ponto morto’ ou dar marcha ré” —Paulo Almeida
Ao apresentar os avanços, Guterres disse que o cumprimento dos ODS continuam ao alcance. Para isso, o líder da ONU pediu para as nações atuarem com “urgência, unidade e determinação”.
A queda de 40% em novas infecções por HIV, desde 2010, foi uma das principais vitórias apresentadas pelo relatório. Ainda no campo da saúde, o documento mostrou que foram evitados mais de 2,2 bilhões de casos de malária e cerca de 12 milhões de vidas salvas desde 2000. Já no setor da educação, mais de 110 milhões de crianças e jovens entraram na escola.
No Brasil, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável seguem o caminho global, com resultados alarmantes. O 8.º Relatório Luz da Sociedade Civil da Agenda 2030, divulgado em outubro do ano passado, mostrou que a maioria absoluta das metas continuam longe de serem alcançadas.
Segundo o relatório, somente 13 das 169 metas demonstraram um progresso satisfatório. Esses dados ficam ainda mais preocupantes quando avaliado o percentual de metas que retrocederam, as quais representam praticamente ¼ do total.
“Parece-me que a falta de comprometimento, especialmente dos governos mais resistentes — considerando o país e alguns estados em determinados períodos, passados e presente — demonstram desapego com o maior foco dos ODS: qualidade de vida com prosperidade e paz” — Paulo Almeida
Nesse sentido, o especialista afirmou que os ODS funcionam como uma grande rede e “na medida que perdem seus elos, eles se enfraquecem, perdem a resistência e a finalidade”. Para contornar a situação e aumentar o compromisso coletivo com a Agenda 2023, Almeida sugere políticas públicas eficientes e comunicação mais efetiva.
Ao ser perguntado sobre quais são os ODS mais urgentes no Brasil, o especialista destacou os objetivos focados na qualidade de vida. “Parece-me que os ODS vinculados à segurança alimentar (ODS 2), assim como o acesso a um sistema de saúde eficiente (ODS 3), estão entre as prioridades”. No entanto, Almeida lembrou que todos os objetivos estão, de certa forma, interligados.
Redação Observatório 3º Setor
Por: Lucas Neves
Fonte: observatorio3setor.org.br