“Entender que estamos em um mundo sob colapso climático produz, no mínimo, um mal-estar significativo. A questão é o que vamos fazer com este mal-estar”, comentou a psicanalista, Ilana Katz, sobre a ansiedade climática
O ano de 2024 foi o mais quente já registrado segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM). No contexto alarmante de mudanças climáticas, responsável por uma série de problemas como o aumento de desastres climáticos, um novo termo surgiu para descrever o sentimento de preocupação com o futuro do planeta, a ecoansiedade.
Este termo, também conhecido como ansiedade climática, foi tema do programa Olhar da Cidadania. Transmitido pela Rádio USP e apresentado por Joel Scala, o episódio recebeu a psicanalista, Ilana Katz. “É um jeito que as pessoas estão encontrando para falar de um mal-estar na relação com o colapso climático”, definiu ela.
Segundo estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), entre 2020 e 2023, o Brasil possuiu uma média anual de 4.077 desastres relacionados ao clima. Este número representa quase o dobro da média anual registrada entre 2000 e 2019, que era de 2.073 casos.
Nesse contexto, Scala questionou se a exposição diária, cada vez maior, a notícias sobre desastres climáticos e eventos extremos influencia na ecoansiedade. Em resposta, a psicanalista afirmou que o problema real não é a notícia, mas sim o próprio fato.
“Entender que estamos em um mundo sob colapso climático produz, no mínimo, um mal-estar significativo. A questão é o que vamos fazer com este mal-estar” — Ilana Katz
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Ilana também destacou que os termos ecoansiedade e ansiedade climática são problemáticos, comentando que prefere chamar este sentimento de “lucidez”. Conforme a psiquiatra, ao serem ligados à ansiedade, esses termos são colocados no escopo de patologias e isso deve ser evitado, pois é uma estratégia de individualizar um problema coletivo.
“Quando digo que você está sofrendo de ansiedade climática, estou dizendo que esse problema é seu e que você precisa resolver. Enquanto isso, a roda continua girando na mesma engrenagem do capitalismo, que adoece e produz o colapso climático que te assustou e te fez sofrer”, alertou Ilana.
Ilana Katz é psicanalista, doutora pela Faculdade de Educação da USP (FEUSP) e pesquisadora integrante da Rede Nacional de Pesquisas em Saúde Mental de Crianças e Adolescentes (SMCA). Ela também é co-coordenadora do Micélio – Programa de Co-Formação de Jornalistas-Floresta no Xingu e colunista de Sumaúma, Jornalismo no Centro do Mundo.
Fora Ilana, essa edição do Olhar da Cidadania contou com falas do colunista Christian Dunker, psicanalista e professor titular do Instituto de Psicologia da USP e, Paulo Artaxo, professor titular e chefe do Departamento de Física Aplicada do Instituto de Física da USP.
O Olhar da Cidadania é apresentado pelo jornalista Joel Scala e transmitido às quintas-feiras, às 13h30, pela Rádio USP, mas você pode escutar o programa completo aqui no portal do Observatório do Terceiro Setor. Para ouvir na rádio, basta sintonizar 93,7 FM, em São Paulo, ou 107,9 FM, em Ribeirão Preto.
Redação Observatório 3º Setor
Por: Lucas Neves
Fonte: observatorio3setor.org.br