Atrás de cada dado relacionado à sua causa estão histórias reais de pessoas que podem ter suas vidas impactadas pelas ações da sua organização. É fundamental ter isto sempre em mente, principalmente quando você estiver criando uma campanha de captação de recursos.
Por quê? Sozinhos, os dados não convencem. A objetividade e a frieza dos números, quando desconectados de uma humanização, não criam as conexões necessárias para engajar as pessoas ao seu trabalho, para motivá-las a fazer parte de uma mudança.
Ao ajudar os dados a transmitir sua mensagem, conectando-os a histórias, sua organização cria uma comunicação mais potente. Boas histórias capturam a atenção e despertam a curiosidade. Boas histórias são capazes de educar pessoas para uma causa, tornando-as mais empáticas. Boas histórias envolvem. E, por fim, boas histórias podem despertar pessoas a agir.
É sobre este potencial que iremos falar no texto de hoje. Se a sua organização quer criar campanhas mais efetivas para a captação de recursos, está na hora de aprender a contar histórias.
Quando dividimos as histórias em suas partes elementares, encontramos basicamente três estágios:
Ou seja, uma boa narrativa expressa como e por que a vida muda. E é justamente por isso que sua organização existe. Para mudar de algum modo a vida das pessoas. Certo? Aproveite esse potencial para mostrar seu impacto no mundo.
Toda boa história tem um problema a ser enfrentado. É ele quem cria tensão e, por sua vez, desencadeia nossa curiosidade para saber como as coisas irão se resolver. Quando o problema pode ser resolvido por quem está lendo ou assistindo – no caso da sua campanha de captação de recursos, o potencial doador – cria-se um senso de urgência e um impulso para a ação. Afinal, todos queremos ser heróis de alguma história.
Histórias criam um senso de identidade compartilhada. Você já percebeu como uma boa narrativa nos faz imaginar na pele do protagonista, por exemplo? Quando a sua campanha de captação faz uso de histórias, você dá nome e rosto para as pessoas impactadas pelo seu trabalho. E isso torna mais fácil para o público desenvolver empatia pela causa em questão.
É claro que nem toda narrativa consegue atingir os três pontos de impacto que acabamos de explicar. Isso acontece porque a contação de histórias exige técnica e também atenção a alguns aspectos básicos. Vamos conhecê-los e evitar erros que podem fazer suas histórias não se tornarem tão potentes quanto podem ser?
Este é o caso da história sem barreiras. Muitas vezes, uma organização foca suas narrativas apenas em mostrar que seu trabalho faz a diferença no mundo. E assim acaba não contando uma história com problemas a serem superados ou com surpresas pelo caminho. Só que as reviravoltas são parte fundamental de uma narrativa, elas prendem a atenção de público e ajudam a criar conexões e paralelos com a vida real.
Boas histórias são histórias de pessoas. Se não temos personagens com quem podemos nos identificar, fica muito mais difícil “mergulhar” em uma narrativa. É como se o protagonista tenha o papel de ser nosso avatar na história: a partir de suas dores e de suas alegrias, conseguimos despertar a empatia – um sentimento fundamental quando falamos em campanhas de captação de recursos.
Além disso, não esqueça os detalhes. Um protagonista descrito superficialmente também dificulta a criação de conexão com o público. São os detalhes que tornam as narrativas autênticas.
Três aspectos precisam ficar claros na construção de uma narrativa para sua organização: o problema das personagens, a solução (que seria o trabalho da sua OSC) e como essa solução atua na resolução do problema. Este último aspecto, muitas vezes, acaba ficando em segundo plano. E isso é ruim por um simples motivo: o público precisa conhecer e entender como sua organização atua.
Fonte: blog.doare.org / Nossa Causa