Doação a OSCs no Brasil chega a R$23 bi, aponta a pesquisa ‘Retratos da Solidariedade’

Com um volume estimado de R$ 23,6 bilhões em doações financeiras destinadas às organizações da sociedade civil (OSCs) em 2024, a cultura de doação ganhou novo fôlego no Brasil. É o que revela a segunda edição do Retrato da Solidariedade, pesquisa que mapeia como a população brasileira se mobiliza para apoiar causas sociais — seja por meio de doações em dinheiro, bens ou trabalho voluntário. 

O montante representa um crescimento de 40% em relação ao levantamento anterior e oferece um panorama atualizado das práticas solidárias no país ao longo de 2024. Realizado pela Fundação José Luiz Setúbal, por meio do Instituto Pensi, o estudo indica uma ampliação consistente do engajamento social dos brasileiros.

“Trata-se da única pesquisa realizada com periodicidade anual sobre o tema no Brasil. Outro diferencial é o compromisso com a transparência: os dados coletados são disponibilizados em repositórios abertos, permitindo que outros pesquisadores tenham acesso às informações”, destaca Flávio Pinheiro, pesquisador do Departamento de Pesquisa em Ciências Sociais e Filantropia do Instituto Pensi.

Apoio

Os dados mostram que as OSCs seguem como o principal destino das doações no Brasil: 58% dos entrevistados afirmaram ter contribuído com esse tipo de organização no período. Em seguida aparecem a doação de esmolas, mencionada por 40%, e o dízimo religioso, citado por 29%.

Na comparação com os dados de 2023, apresentados na primeira edição do estudo, observa-se estabilidade no percentual de brasileiros que apoiam OSCs. No ano anterior, 57% declararam ter feito algum tipo de doação às organizações –  muito próximo ao registrado em 2024, o que indica a consolidação desse comportamento.

Dentro desse conjunto de contribuições, a pesquisa identificou uma mudança significativa no perfil das doações. Em 2023, 27% dos brasileiros afirmaram ter feito doações em dinheiro para OSCs. Em 2024, esse percentual subiu para 32%, indicando maior disposição para contribuições monetárias. Já a doação de bens manteve-se estável nos últimos dois anos, com 48%, enquanto o voluntariado apresentou queda, passando de 17% para 15%.

Flávio Pinheiro sugere que o aumento dessas doações pode estar ligado à catástrofe ambiental que aconteceu no Rio Grande do Sul, tendo em vista que a pesquisa aponta situações emergenciais como um dos principais motivos que impactam a doação. Além disso, o pesquisador também informa que os recentes dados do levantamento não representam concretamente uma mudança de cultura de doação do brasileiro. 

“Como o levantamento conta, até o momento, com apenas dois anos de dados, não é possível afirmar que houve uma mudança estrutural na cultura de doação no país. A análise se limita à comparação entre 2023 e 2024, período no qual se observam variações pontuais nos padrões de doação.”

Fatores de doação

Além do apoio por questões emergenciais, o aumento da confiança da população nas organizações da sociedade civil também é um ponto importante. Segundo o levantamento, a percepção positiva sobre essas instituições teve aumento positivo. “Em 2023, a parcela que confiava nas OSCs era de 32%; em 2024, 36%, um percentual maior que o obtido pelos governos (18%) e próximo ao das instituições religiosas (44%)”, diz trecho da pesquisa.

O estudo também aponta que fatores subjetivos desempenham papel central na decisão de doar. A sensação de bem-estar ao ajudar e o senso de responsabilidade social aparecem como os dois principais motivadores individuais das doações. 

Além das motivações pessoais, alguns critérios objetivos influenciam a escolha das organizações beneficiadas. A causa defendida pela instituição é o principal fator considerado pelos doadores. Em 2023, 28% dos entrevistados apontaram esse aspecto como decisivo; em 2024, o percentual subiu para 29%. Outro critério relevante é a confiança na liderança das organizações, que registrou 17% em 2023 e 15% no ano seguinte.

“A identificação com o propósito da organização conta mais do que aspectos operacionais ou estruturais”, informa a pesquisa, ao indicar que a conexão com a causa tem peso maior do que fatores administrativos. 


Por: Gife

Fonte: gife.org.br

Política de Privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis. Acesse nossa Política de Privacidade.

//]]>