Falta de apoio técnico e burocracia travam o acesso a recursos para a comunicação popular, aponta pesquisa

A dificuldade para acesso a recursos é uma realidade comum às organizações que escolhem fazer comunicação democrática e fora das diretrizes mercadológicas das mídias comerciais. Cenário confirmado pela pesquisa “Barreiras ao Financiamento para Organizações de Comunicação Popular”, lançada pela Pacová. De acordo com o estudo, 46% dessas organizações jamais conseguiram acessar recursos, e 88% das que já conseguiram encontram barreiras nesse acesso.

“A comunicação popular tem um papel essencial no fortalecimento da democracia, ampliando as vozes que compõem o debate público e produzindo narrativas próprias desde os territórios”, destaca Albert França, diretor executivo da Pacová. Foi através dessa estratégia que debates sobre moradia, terra, gênero, raça e juventude ganharam ainda mais espaço nos últimos anos, como aponta a pesquisa, que foi lançada em setembro de 2025.

O estudo foi realizado com 50 organizações de todo o Brasil, e mostra que esses grupos enfrentam diversas barreiras para acessar recursos contínuos e adequados. A maioria dessas organizações está localizada no Nordeste (54%), acompanhada pelo Norte (21%), Centro-Oeste (10%), Sudeste (8%) e Sul (7%). Uma delas é a “Flores no Ar” que, criada em 2009, no Recife, atualmente enfrenta “condições financeiras precárias”, por não abrir mão de sua linha editorial e não se render ao marketing agressivo, de acordo com a pesquisa.

Entre os principais obstáculos para o acesso a recursos, a falta de apoio técnico para captação se destaca com 21% das menções. Falta de CNPJ ou dificuldade de manter em dia (19%) e linguagem técnica ou difícil de entender (13%) aparecem em 2º e 3º lugar, respectivamente. 

54% das organizações entrevistadas acessaram recursos em algum momento de sua trajetória, enquanto que 46% nunca acessaram. As organizações beneficiadas em algum momento têm como principal fonte de apoio fundações ou ONGs de origem nacional, o que evidencia o papel relevante da filantropia brasileira. As fundações e ONGs internacionais aparecem em segundo lugar.

“A permanência desse cenário de precariedade não é inevitável. Ele resulta de escolhas políticas e institucionais e, portanto, pode ser transformado”, diz trecho da pesquisa, que apresenta algumas saídas resolutivas para que o setor filantrópica amplie sua atuação junto a organizações de comunicação popular:

  • Reconhecer a comunicação como causa; 
  • Financiamento de base, e não apenas por projetos; 
  • Simplificação de processos; 
  • Diversidade de formatos de apoio;  
  • Construção coletiva das regras.

Por: Gife

Fonte: gife.org.br

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